domingo, 4 de junho de 2017

Artigo: O maior abandonado

Artigo: O maior abandonado
Alyson Miguel Harrad Reis
16 anos
Colégio Estadual Professor Cleto, Curitiba PR
O nome dele é Carlos Alberto Araujo e tem 72, ele nunca teve uma família, nunca teve alguém pra amar e nem ninguém para chamar de pai e mãe.
Carlos vive há quase sete décadas no abrigo para crianças vulneráveis socialmente de São Paulo, ele não conhece muita coisa por fora dos muros do abrigo.
Por causa de sua timidez e a ausência total de referência familiar ele nasceu, cresceu, envelheceu e continua abrigado.
Entre 11 e 12 anos foi a idade que Carlos foi transferido para esse abrigo que mal sabia ele que a maior parte de sua vida seria ali dentro do Educandário Dom Duarte, conhecido com “ Cidade das crianças” que abriga cerca de 500 meninos e meninas abandonados no extremo sul de São Paulo.
Carlos chegou numa camionete com outros 10 meninos e foi morar no pavilhão 23, eram 25 ao todo, cada um continha várias crianças e era mantido por uma família diferente.
Assim que Carlos chegou foi aprender carpintaria.
O local tem 470 mil m²e atualmente presta serviços de atenção a crianças e idosos também vulneráveis, os pavilhões tornaram-se espaços destinados aos programas sociais.
Carlos chorava muito nos períodos de férias e festas porque todos iam para a casa de algum familiar que restou ou algum conhecido, mas ele não tinha ninguém, então ele ficava no abrigo mesmo.
Carlos tentou ir a alguns programas de televisão para ver se encontrava algum parente mas não deu certo.
Ao completar 18 anos Carlos seguiu institucionalizado mas na condição de funcionário da instituição.
Carlos trabalhou na carpintaria por 20 anos e depois em funções administrativas.
Na sua vida adulta ele ganhou um espaço próprio, dentro do abrigo, vive por lá, tem poucos moveis mas em um estado de conservação impecável.
Acorda todos os dias bem cedo, almoça ao meio-dia e sai muito pouco, morou três anos em um hospital por conta de um problema grave de saúde.
Aos sábados ele costuma comprar pizza e sempre divide com seus colegas de trabalho da instituição.
Carlos alfabetizou-se há um pouco mais de 10 anos e aposentou-se em 2011.
Ninguém nunca tinha registrado alguém que tenha ficado tanto tempo no abrigo.
Carlos gosta de dançar, de fazer ginástica e de cuidar da horta do abrigo, nunca se casou ou namorou, devido à timidez .
Carlos sempre teve um bom coração, ele diz que quando morrer quer que tudo que ele tem vá para a instituição.
Carlos gosta muito do trecho da musica A felicidade de Vinicius de Moraes e Tom Jobim que diz, “ A tristeza não tem fim, felicidade sim”.
Esse artigo tem a ver com a minha vida porque eu já passe pelo que Carlos passou, passei por 7 abrigos.

Eu aprendi com esse artigo que apesar das dificuldades da vida temos que sorrir e tentar seguir em frente. 

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